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Entrevistamos Júnior Seco, o produtor responsável pela etapa do MX1 GP Brasil em Canelinha/SC, uma das principais da temporada

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Promotor de eventos, o catarinense Júnior Seco foi um dos grandes responsáveis por resgatar a tradição e elevar o nível de estrutura das etapas do MX1 GP Brasil em Canelinha em 2024 e 2025. Além disso também foi o promotor responsável pelo retorno do Campeonato Brasileiro de Supercross, que estará de volta em 2025 repleto de inovações e melhorias.

Com uma visão inovadora, que vai além da competição, Júnior tem um olhar especial alguns detalhes que fazem a diferença na experiência de pilotos, equipes, exposição de patrocinadores e principalmente conforto e comodidade espectadores, destacando ainda a importância da mídia para que as pessoas possam conhecer tudo o que um evento desse porte oferece, atraindo assim um novo público.

Conversamos com o promotor para entender os desafios de um evento dessa magnitude, suas ideias e visão em relação aos próximos passos para elevar o nível organizacional das provas Brasil a fora.

Entrevistamos Júnior Seco, o produtor responsável pela etapa do MX1 GP Brasil em Canelinha/SC, uma das principais da temporada
Foto: Leandro LS Off Road

SR: Júnior, a estrutura da segunda etapa em Canelinha realmente impressionou. Qual foi o principal objetivo ao investir em tantas melhorias, principalmente em itens como lava-motos fixo, túneis e infraestrutura elétrica e hidráulica permanente?

Júnior: Nosso objetivo sempre foi pensar no motocross como um espetáculo completo, não só para os pilotos, mas também para as equipes, imprensa e principalmente o público. Canelinha é uma pista lendária, mas precisava acompanhar a evolução da modalidade.

Essas melhorias foram pensadas para resolver problemas históricos e elevar o padrão. O lava-motos, por exemplo, sempre foi uma dor para os pilotos, então decidimos fazer algo funcional. Eu estive em uma etapa do Mundial e no AMA, fora do Brasil, o que me ajudou muito a pensar nessas melhorias, e trazer um pouco desse conhecimento adquirido para Canelinha.

SR: Você mencionou que “não existe nada nem parecido” com o que foi feito em Canelinha. O que mais te orgulha nessa edição de 2025 e qual foi o ponto que você considera o divisor de águas para o evento?

Júnior: O que mais me orgulha é ver que cada detalhe foi pensado e executado com cuidado. Ver a reação das equipes ao chegar, a emoção do público, isso paga qualquer esforço. O divisor de águas, pra mim, foi a integração entre o esporte e a minha experiência e conhecimento na área de eventos, ter banheiros limpos, praça de alimentação decente, acesso facilitado, segurança, tudo funcionando. Isso muda o jeito como o motocross é visto.

Entrevistamos Júnior Seco, o produtor responsável pela etapa do MX1 GP Brasil em Canelinha/SC, uma das principais da temporada
Foto: Leandro LS Off Road

SR: Sabemos que em 2024 a pista já foi considerada pelos pilotos a melhor da temporada. Em 2025, o foco foi a estrutura externa. Como você vê esse equilíbrio entre pista e experiência do público no crescimento do campeonato?

Júnior: Além da pista e das provas, que é o essencial para o campeonato e vem crescendo a cada ano, o motocross brasileiro acabou perdendo sua essência, por fazer provas em lugares pequenos, sem estrutura física decente para comportar o público, como espaço para acampamento, por exemplo.

É fundamental esse equilíbrio. A pista é o coração do evento, mas o entorno é muito importante também. Se o piloto tem uma pista de alto nível, mas o time sofre na base, ou o público não tem onde sentar ou ir ao banheiro, não funciona. Quem vai pra assistir tem que querer voltar, e quem corre tem que querer competir aqui sempre. A gente conseguiu trazer esse equilíbrio, e para mim é uma emoção não só como produtor mas também como amante do esporte.

SR: Canelinha é um berço histórico do motocross brasileiro, mas por alguns anos ficou de fora do calendário do MX Nacional. Quais os desafios de resgatar essa tradição, ainda mais com eventos que estão mudando o patamar das etapas do campeonato?

Júnior: Trazer Canelinha de volta foi um desafio enorme, porque não bastava só voltar, a gente precisava honrar a história e, ao mesmo tempo, apresentar um novo padrão. O público tem memória afetiva com a cidade, mas os tempos mudaram. A pista de antigamente já não
existe mais. Hoje, se espera muito de um evento nacional. O desafio foi estruturar tudo do zero para acompanhar o crescimento do campeonato e as expectativas do público e das equipes. Fizemos isso com planejamento, investimentos pesados e uma equipe comprometida em entregar algo realmente novo.

Entrevistamos Júnior Seco, o produtor responsável pela etapa do MX1 GP Brasil em Canelinha/SC, uma das principais da temporada
Foto: Leandro LS Off Road

SR: Você comentou sobre as críticas recebidas em anos anteriores, especialmente sobre os banheiros. Que lições você tirou dessas observações e como elas influenciaram diretamente nas decisões desta edição?

Júnior: Eu escuto tudo. Às vezes a crítica vem dura, mas quando é construtiva, ela ensina muito. Em 2024, os banheiros foram um ponto fraco. Em 2025, eles viraram referência. Instalamos estação de lavagem, água corrente e limpeza frequente. Quando a gente se
propõe a fazer um evento grande, não pode negligenciar detalhes que impactam diretamente a experiência.

SR: A ideia que você teve de realizar um congresso entre promotores para alinhar as dificuldades e soluções do calendário parece inovadora e necessária. Como você enxerga a importância desse diálogo coletivo entre os organizadores do MX1 GP?

Júnior: O motocross brasileiro precisa parar de andar de forma isolada. Promotores têm problemas em comum e poderiam se ajudar mais. O congresso é uma ideia que nasceu da necessidade de profissionalizar o calendário, alinhar expectativas, trocar experiências e evitar erros repetidos. A união fortalece o campeonato como um todo.

A CBM tem que ouvir mais os produtores, saber as dificuldades de cada município, ela precisa entrar para somar nas etapas, porque sabemos quão difícil é fazer uma prova sem ajuda do poder público, até porque todas as equipes estão alinhadas com o campeonato, e não com os produtores.

Entrevistamos Júnior Seco, o produtor responsável pela etapa do MX1 GP Brasil em Canelinha/SC, uma das principais da temporada
Foto: Leandro LS Off Road

SR: Problemas como a falta de hospedagem em cidades menores foram citados. Como você acredita que esse tipo de planejamento pode evoluir para as próximas temporadas com a colaboração entre os organizadores?

Júnior: Essa é uma dor real. Quando a cidade não comporta o evento, afeta tudo, das equipes ao público. A ideia é mapear isso com antecedência, articular com prefeituras, setor hoteleiro e até criar soluções paralelas, como áreas de motorhome bem estruturadas. Isso
exige visão e parceria. Esse é um exemplo de questão que pode ser discutido no congresso que mencionei anteriormente.

SR: Você mencionou a importância da mídia não só para divulgar resultados, mas para mostrar toda a estrutura entregue. O que você espera da cobertura da imprensa e qual o papel estratégico da comunicação nesses eventos?

Júnior: A comunicação é fundamental. Não adianta fazer um evento incrível e ninguém ver. A imprensa tem o poder de amplificar a entrega, mostrar o que vai acontecer já antes do evento, falar sobre o campeonato mas também mostrar toda a estrutura, a etapa como um
todo, além da competição, mostrar que o motocross está em outro nível. Quero que as pessoas olhem uma matéria e fotos e sintam a emoção do evento, que tenham vontade de vir prestigiar.

Entrevistamos Júnior Seco, o produtor responsável pela etapa do MX1 GP Brasil em Canelinha/SC, uma das principais da temporada
Foto: Leandro LS Off Road

SR: Além da parte técnica e organizacional, há um lado político envolvido. Como o ano eleitoral influencia seu planejamento e qual a importância de ter materiais de alto nível para apresentar a figuras públicas como o governador?

Júnior: Ano eleitoral exige responsabilidade. Quem está no poder ou pretende estar, precisa ver que investir no motocross é investir em turismo, economia e cultura. Ter um material visual forte, com imagens, dados, e estrutura bem apresentada ajuda muito na captação de
apoio. Não é só pedir ajuda, é mostrar que o projeto tem retorno. Isso mostra a importância da imprensa divulgar o evento como um todo, e não só falar da competição.

SR: Com o sucesso dessa edição, você acredita que o modelo de Canelinha pode ser replicado em outras etapas? Há algo que você recomendaria como padrão para o campeonato?

Júnior: Sem dúvida. Canelinha é um modelo de evento viável quando há planejamento e vontade. Cada etapa tem sua realidade, mas estrutura fixa, bom acesso, banheiros decentes e organização são padrões mínimos que a gente deveria buscar sempre. O motocross brasileiro precisa se valorizar como produto.

Entrevistamos Júnior Seco, o produtor responsável pela etapa do MX1 GP Brasil em Canelinha/SC, uma das principais da temporada
Foto: Leandro LS Off Road

SR: Os eventos off-road no Brasil estão sendo levados para um outro nível. Para você, o que falta para que o Brasil possa voltar a receber uma etapa de uma competição a nível mundial novamente?

Júnior: Primeiramente apoio governamental. Realmente o Brasil ficou muito tempo fora do campeonato mundial, temos um potencial enorme para realizar, temos um espaço físico invejável, e temos uma pista já aprovada pela FIM. Mas precisamos alinhar a parte política e organizacional com padrões exigidos lá fora: segurança, logística, serviços, mídia, tudo conta. O Brasil tem potencial, tem público, tem pilotos, tem pista. O que falta é realmente verba para realizar um evento desse porte, por isso a importância da ajuda das marcas de off-road, que podem colaborar na construção de um grande projeto para para conseguirmos incluí-lo na captação de recursos via lei de incentivo fiscal.

SR: Na sua visão, quais os próximos passos para manter a crescente evolução nos eventos off-road nacionais?

Júnior: O primeiro passo é continuar profissionalizando a gestão dos eventos, desde o planejamento até o pós-prova. Um calendário definido com antecedência é essencial para organizar melhor cada etapa e facilitar a captação de apoio público e privado. O segundo é fortalecer a conexão entre os promotores, trocando experiências, alinhando expectativas e estabelecendo um padrão mínimo de entrega que eleve o nível do campeonato como um todo. E, por fim, é fundamental que a gente pare de enxergar os eventos apenas como paixão e comece a tratá-los como negócio e legado. O off-road tem potencial econômico, social e esportivo, e precisa ser conduzido com essa visão.

SR: Para encerrar, qual é a sua mensagem para os pilotos, equipes, público e demais promotores que presenciaram — ou ainda vão conhecer — essa nova fase do motocross brasileiro impulsionada por Canelinha?

Júnior: Minha mensagem é simples: a mudança começou. E não tem mais volta. A gente mostrou que dá pra fazer bem feito, com respeito ao esporte e a quem vive dele. Aos promotores, digo: vamos nos unir, trocar ideias, crescer juntos. Aos patrocinadores: que olhem um pouco mais para fora da pista, fazendo ações com o público, ajudando assim os produtores a trazer cada vez mais pessoas para o evento. Aos pilotos e equipes: contém com uma estrutura à altura do talento de vocês. Agradecer a CMB e a MX1 GP BRASIL, a imprensa. A minha família, ao Tio Chiquinho, ao Prefeito e ao Sandro da Geração, que acreditaram e embarcaram comigo nesse sonho. E ao público: obrigado por estarem
conosco, esse espetáculo também é pra vocês.

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