Antes de tudo, Glenn, em nome de todos os fãs brasileiros, obrigado por conversar conosco. Essa é oficialmente sua primeira entrevista para um veículo 100% brasileiro, e para nós é uma honra recebê-lo aqui no Show Radical, o principal portal off-road da América Latina.
O motocross brasileiro cresceu muito na última década, tanto em estrutura quanto em relevância mundial. Meu primeiro contato com você foi no MXoN 2019 na sua casa, quando você ajudou a colocar a Holanda no topo — inclusive tenho uma foto com você daquele dia.
SR: Para começar a nossa conversa: quando foi a primeira vez que você leu, assistiu ou ouviu algo sobre o motocross brasileiro? Foi algo recente ou você já vinha observando e percebendo que “algo interessante está acontecendo por lá”?
Glenn Coldenhoff:
“Na verdade foi desde que o Jeremy Van Horebeek foi correr aí. Ele postou alguns vídeos no Instagram e, a partir disso, comecei a seguir um pouco mais. Dá para ver e sentir a paixão dos fãs e da indústria. Pistas legais e muitos fãs.”
SR: Eu já vi entrevistas em que você comentou ter recebido propostas para correr no AMA Motocross. Para nós, latinos, é comum ver pilotos europeus indo para os Estados Unidos — mas de repente o cenário está mudando. E sinceramente, você é o maior nome até agora a deixar a estrutura europeia para correr o nosso campeonato nacional.
O que pesou de verdade nessa decisão tão grande? Foi a proposta financeira? O calendário mais compacto? O novo desafio? O nível do campeonato? O que realmente te motivou?
Glenn Coldenhoff:
“Foi uma combinação de tudo. Acho que a série e a indústria estão crescendo muito na América Latina e, desde o início, senti a motivação e o entusiasmo da equipe e da fábrica. As equipes querem investir no esporte e oferecem uma compensação justa aos pilotos.
Eu também estava buscando uma nova aventura depois de tantos anos no MXGP. Estou animado para aprender novas pistas, conhecer novas pessoas, a cultura e o país.”

SR: Eu costumo dizer que existem dois grandes estilos de motocross no mundo: o americano e o europeu. Mas com o Brasil crescendo globalmente, acho que agora podemos falar em três estilos completamente diferentes — porque o Brasil tem clima, solo e geografia muito particulares.
Você já estudou as condições brasileiras? O tipo de solo, o clima, o estilo das pistas? E como está se preparando para essa adaptação, que até pilotos top dos EUA sofrem quando vão para a Europa, e vice-versa?
Glenn Coldenhoff:
“Essa é uma pergunta interessante. Eu nunca andei nas pistas do Campeonato Brasileiro, então tudo vai ser novo. E o formato é de evento de 1 dia apenas, então vou precisar me adaptar rápido.
Vai ser um desafio, mas também é legal andar em pistas novas depois de tantos anos.
Na última semana assisti todas as corridas do Brasileiro 2025, então esse foi meu primeiro passo de preparação.
No mais, espero me acostumar com o clima ao longo da temporada.
Nos GPs tivemos corridas muito quentes e úmidas, então tenho experiência com isso. Acho que vai ficando mais fácil ao longo do ano.”
SR: Falando sobre equipamento: o Brasil tem equipes muito fortes, com apoio oficial de fábrica e estrutura sólida. Ainda não temos motos full factory como as do AMA ou do MXGP, mas os times de ponta lembram boas equipes satélites dos EUA e da Europa.
Quais são suas expectativas sobre a moto e a estrutura que você terá aqui? E o que você considera essencial para chegar confiante na briga pelo título?
Glenn Coldenhoff:
“Isso eu vou descobrir nas próximas semanas. A equipe me disse que tem uma moto forte e competitiva, então isso já é animador.
Ao mesmo tempo, eu sou bem exigente com acerto de moto e, na minha carreira, já pilotei as melhores motos possíveis — então meus padrões são altos.
Mas eu sei que não posso esperar exatamente o mesmo no Brasil.
Passei minhas preferências de acerto para a equipe, e tenho certeza de que eles vão fazer o máximo para me atender.”

SR: Durante sua carreira, algum piloto brasileiro chamou sua atenção? Alguém que você viu no Mundial, no Supercross, ou até mesmo aqui no Brasil?
Glenn Coldenhoff:
“Sim, claro! Eu vi as performances do Enzo Lopes no Supercross dos EUA e também do Fábio Santos nas corridas do Brasil.
Os dois são muito fortes e talentosos!
Vai ser divertido disputar com eles no Brasil!”
SR: Falando agora sobre o seu novo time: o Wellington Valadares, seu chefe de equipe para 2026, é uma das figuras mais importantes da indústria off-road brasileira. A primeira conversa de vocês foi no MXoN de 2025, nos EUA, e a partir dali o projeto começou a ganhar forma.
Como foi esse primeiro contato? O que te deu confiança para levar a proposta a sério?
E já te avisamos: muitos estrangeiros que correram com o Wellington acabaram praticamente virando “parte da família”. Alguns até voltaram falando português (risos). Está preparado para isso?
Glenn Coldenhoff:
“Sim, nos conhecemos no MXoN. Tivemos uma conversa muito boa e ele estava muito entusiasmado e motivado. E, como você disse, desde aquele momento já me senti parte da família.
Vou ficar feliz em aprender português hahaha, inclusive você é quem deve me ajudar cara!”
SR: Você é reconhecido no mundo inteiro como um especialista na areia, uma característica clássica dos pilotos da sua região na Holanda. Mas no Brasil, algo em torno de 70% das etapas acontecem em pistas de terra dura e compacta, totalmente diferente dos circuitos europeus arenosos.
Você acha que pode sofrer um pouco no começo contra os pilotos locais que cresceram nesse tipo de terreno? Ou acredita que sua experiência no MXGP vai te permitir se adaptar rápido e impor seu ritmo em qualquer pista?
Glenn Coldenhoff:
“Acho que os pilotos brasileiros têm uma pequena vantagem, porque estão acostumados com esse tipo de solo.
Nos GPs estamos acostumados a trilhos e a vários tipos diferentes de terreno, então preciso garantir que vou me preparar para essas novas condições.
Espero conseguir rodar em algumas pistas brasileiras agora em janeiro de 2026.”

SR: Ano passado vimos dois perfis de estrangeiros no Brasil: o Stephen Rubini, que morou no país durante toda a temporada, e o Jeremy Van Horebeek, que vinha apenas nas semanas de corrida.
Você já conversou com sua equipe sobre qual abordagem pretende seguir?
E caso você vença o campeonato e novas oportunidades surjam, existe a possibilidade de morar no Brasil, como o espanhol Carlos Campano fez anos atrás?
Glenn Coldenhoff:
“O plano é viajar só para as corridas.
Eu não planejei nada além dessa temporada, então vamos ver como as coisas vão acontecer.
Mas não acho que vamos morar aí com a família, pelo menos por enquanto não está nos planos.”
SR: Você tem resultados históricos — vitórias no MXoN, GPs, pódios no MXGP — e construiu sua imagem como um dos pilotos mais consistentes da última década. Agora você inicia uma fase totalmente nova, longe da Europa, liderando um projeto inédito no Brasil.
Qual é sua verdadeira ambição para 2026?
Você vem mais pela experiência ou vem com mentalidade de campeão, para tentar vencer tudo o que alinhar?
Glenn Coldenhoff:
“Vou continuar treinando do mesmo jeito que treinava para o MXGP.
Como atleta, acho que o objetivo sempre é vencer — e é para isso que estou indo.”
SR: Para finalizar, Glenn: qual mensagem você gostaria de deixar para os fãs brasileiros que já estão te recebendo como um dos maiores pilotos internacionais a competir no nosso país?
Glenn Coldenhoff:
“Obrigado por me fazerem sentir tão bem-vindo. Estou ansioso para encontrar todos vocês nas corridas!”












