Ausências de Jett e Hunter Lawrence, Haiden Deegan, Eli Tomac, Ken Roczen, Kay de Wolf, Simon Längenfelder e Bernardo Tibúrcio mudam o cenário da “Copa do Mundo do Motocross”; Brasil também perde Salvador Perez e ainda procura um representante para a MX2.
O Motocross das Nações 2026 (MXoN), em Ernée, na França, terá baixas de peso como Jett e Hunter Lawrence, Haiden Deegan, Eli Tomac, Ken Roczen, Kay de Wolf e Bernardo Tibúrcio. O Brasil também perde Salvador Perez e ainda busca substituto para a MX2. Com favoritas desfalcadas, seleções como Bélgica, Espanha, Eslovênia e Itália ganham chances reais de pódio.
O Monster Energy FIM Motocross of Nations 2026 promete arquibancadas lotadas e uma atmosfera histórica no tradicional Circuit Raymond Demy, em Ernée, na França. Entretanto, a edição programada para os dias 2, 3 e 4 de outubro chegará ao gate sem várias das maiores estrelas do motocross mundial.
Austrália, Estados Unidos, Alemanha, Holanda, França e Brasil foram afetados por lesões, decisões de equipes, compromissos contratuais, desgaste provocado pelo calendário e questões administrativas.
As ausências não diminuem a importância do MXoN, considerado a “Copa do Mundo do Motocross”, mas retiram da edição alguns dos confrontos individuais mais aguardados pelos fãs. Ao mesmo tempo, alteram o equilíbrio de forças e deixam as portas abertas para seleções que inicialmente não apareciam como favoritas ao Chamberlain Trophy.
Irmãos Lawrence deixam a Austrália sem seus principais nomes

Atual bicampeã do Motocross das Nações, depois das conquistas de 2024 e 2025, a Austrália não poderá contar com os principais responsáveis por essa sequência: Jett Lawrence e Hunter Lawrence.
Os irmãos decidiram utilizar o mês de outubro para descansar após outra longa temporada disputada nos Estados Unidos. Hunter confirmou que os dois não participarão do MXoN de Ernée.
A ausência representa uma enorme mudança em relação às duas últimas edições. Jett e Hunter estão entre os pilotos mais rápidos e populares do planeta, além de terem sido decisivos nas conquistas australianas.
O problema aumentou com a ausência de Kyle Webster, que passou por uma cirurgia no ombro. Webster também integrou as equipes campeãs da Austrália.
Com isso, o país defenderá o Chamberlain Trophy com uma formação completamente renovada:
- Jed Beaton, MXGP
- Alex Larwood, MX2
- Aaron Tanti, Open
Beaton chega valorizado pelo título australiano da MX1, enquanto Larwood conquistou a categoria MX2. Ainda assim, a nova equipe não carrega o mesmo favoritismo da formação composta pelos irmãos Lawrence.
A Austrália continua tendo pilotos competitivos, mas passa da condição de favorita absoluta para a de seleção que precisará apostar na regularidade e nos erros das principais adversárias.
Estados Unidos ficam sem Deegan, Tomac e outros candidatos de peso


A seleção dos Estados Unidos também chegará a Ernée bastante diferente da equipe que muitos fãs imaginavam no início da temporada.
O nome mais comentado era o de Haiden Deegan, um dos pilotos mais populares e competitivos do motocross norte-americano. Porém, a Monster Energy Yamaha Star Racing decidiu retirar suas equipes 250 e 450 da disputa pelas vagas no MXoN.
A Yamaha apontou como fatores a intensidade do calendário do SuperMotocross, a necessidade de recuperação dos pilotos, os custos de transporte e as adaptações necessárias para colocar as motos dentro das especificações da FIM.
A decisão retirou tanto Deegan quanto Justin Cooper das possibilidades da equipe americana.
Outro grande nome que não aparece na seleção é Eli Tomac. O multicampeão chegou a declarar durante o ano que estaria disponível para defender o país, mas acabou fora da formação oficial anunciada pela AMA.
Tomac possui enorme experiência no Motocross das Nações e foi um dos integrantes da equipe campeã em RedBud, em 2022. Sua ausência impede a realização de um dos confrontos mais aguardados contra pilotos como Jeffrey Herlings, Romain Febvre, Tim Gajser, Jorge Prado e Lucas Coenen.
Também ficaram fora outros nomes importantes do cenário norte-americano, como Chase Sexton, Aaron Plessinger e RJ Hampshire.
A equipe oficial dos Estados Unidos será formada por:
- Chance Hymas, MXGP
- Levi Kitchen, MX2
- Cooper Webb, Open
Webb assumirá a condição de capitão e levará à França sua experiência de múltiplo campeão do Supercross. Hymas e Kitchen farão suas estreias no Motocross das Nações.
Mesmo sem Tomac, Deegan e Sexton, não se trata de uma seleção fraca. Kitchen é um dos principais nomes da nova geração, Hymas tem velocidade e Webb reúne experiência, capacidade de adaptação e força mental. O questionamento está na falta de experiência coletiva no MXoN e na necessidade de Hymas competir com a motocicleta de 450cc.
Alemanha perde Roczen, Längenfelder, Nagl e Spies

Poucas seleções sofreram tantas baixas quanto a Alemanha.
A ausência mais significativa é a de Ken Roczen, que não estará em Ernée devido a compromissos contratuais nos Estados Unidos. O alemão foi um dos grandes destaques da edição realizada no mesmo circuito em 2023, quando terminou como o melhor piloto da categoria MXGP.
Roczen é uma das figuras mais populares do motocross internacional e sua presença sempre gera enorme expectativa, especialmente nos raros confrontos diretos com os principais nomes do Mundial de MXGP.
A Alemanha também não contará com Simon Längenfelder. Segundo a seleção alemã, os médicos recomendaram que o piloto passasse por uma cirurgia logo após o encerramento do Campeonato Mundial de MX2.
O experiente Max Nagl também ficou indisponível devido a uma lesão no joelho.
A primeira formação alemã teria Tom Koch, Valentin Kees e Maximilian Spies. Porém, Spies sofreu uma lesão em uma vértebra cervical durante uma etapa do ADAC MX Masters e precisou ser substituído por Noah Ludwig.
A equipe alemã atualizada será:
- Tom Koch, MXGP
- Valentin Kees, MX2
- Noah Ludwig, Open
Sem Roczen e Längenfelder, a Alemanha perde seus dois nomes de maior projeção internacional. Ainda assim, seus dirigentes apostam que a juventude e a consistência do novo trio poderão produzir um resultado importante.
Kay de Wolf desfalca uma Holanda que ainda mantém Jeffrey Herlings

A Holanda havia anunciado uma equipe com enorme potencial para lutar pela vitória, formada inicialmente por Jeffrey Herlings, Kay de Wolf e Roan van de Moosdijk.
A situação mudou quando Kay de Wolf sofreu uma lesão na mão. O problema afastou o piloto das últimas etapas do Mundial e também confirmou sua ausência no Motocross das Nações.
A baixa é considerável porque De Wolf poderia contribuir tanto com velocidade quanto com sua experiência na motocicleta de menor cilindrada. Até a atualização mais recente, a seleção holandesa ainda não havia confirmado oficialmente seu substituto.
A formação aparece da seguinte maneira:
- Piloto da MXGP: a confirmar
- Roan van de Moosdijk, MX2
- Jeffrey Herlings, Open
Apesar do desfalque, a Holanda mantém uma de suas maiores armas. Herlings conhece profundamente as características das pistas europeias e chega como um dos pilotos mais fortes da temporada do Mundial.
Por outro lado, no sistema de pontuação do MXoN, depender apenas de uma estrela é extremamente arriscado. O resultado final exige boas atuações dos três integrantes, com cada queda, abandono ou problema mecânico podendo custar o título.
França fica sem Maxime Renaux, mas permanece como favorita
A anfitriã França também possui uma ausência relevante. Maxime Renaux ficou fora da seleção após enfrentar problemas físicos durante a temporada, incluindo uma lesão nas costelas que o afastou da reta final do Mundial.
Mesmo sem Renaux, a França conseguiu montar uma das equipes mais fortes e equilibradas da edição:
- Romain Febvre, MXGP
- Mathis Valin, MX2
- Tom Vialle, Open
Febvre reúne experiência, velocidade e títulos mundiais. Vialle conhece profundamente tanto o motocross europeu quanto o norte-americano, enquanto Valin representa uma das maiores forças da nova geração francesa.
Além da qualidade do trio, a França contará com o apoio de um dos públicos mais intensos do motocross mundial. Ernée foi palco das vitórias francesas em 2015 e 2023, e a equipe tentará repetir o feito dentro de casa.
Brasil perde Bernardo Tibúrcio e Salvador Perez na MX2

A Seleção Brasileira também sofreu duas baixas importantes justamente na categoria MX2.
A primeira foi Bernardo Tibúrcio, um dos jovens brasileiros de maior destaque no motocross internacional. O piloto disputou o Campeonato Europeu de Motocross na categoria EMX250 e também participou do Campeonato Espanhol durante a temporada de 2026.
Bernardo apresentava uma evolução significativa e havia atingido um nível técnico muito alto. Entre seus resultados estão um histórico pódio no Europeu e vitórias no Campeonato Espanhol, mostrando velocidade e capacidade para enfrentar alguns dos principais jovens pilotos do mundo.
O brasileiro, entretanto, sofreu uma queda durante a temporada europeia e precisou interromper sua participação para tratar os problemas físicos e priorizar uma recuperação completa.
Sua saída do projeto do MXoN não aconteceu por falta de desempenho. Bernardo vivia um dos melhores momentos de sua carreira e possuía características muito importantes para Ernée: experiência nas pistas europeias, adaptação à motocicleta de 250cc e conhecimento recente do nível de seus adversários.
Após a baixa de Tibúrcio, a vaga foi destinada a Salvador “Salvi” Perez, que vinha liderando a MX2 do Campeonato Brasileiro e também possuía experiência em provas europeias.
Nascido na Espanha e filho de mãe brasileira, Salvador possui dupla cidadania. Porém, a participação encontrou um impedimento administrativo após a análise da inscrição pela Federação Internacional de Motociclismo.

Segundo comunicado divulgado pela Yamaha Racing Brasil, Salvador não poderá representar o país no MXoN 2026 devido aos prazos estabelecidos pelo regulamento para a mudança de federação.
O problema, portanto, não está relacionado à falta de cidadania brasileira, mas ao vínculo esportivo do piloto com a federação espanhola e ao prazo necessário para concluir a transferência que permitiria sua participação pela Seleção Brasileira.
Com Bernardo Tibúrcio em recuperação e Salvador Perez impedido de competir pela questão regulamentar, o Brasil ficou sem o piloto inicialmente planejado para a motocicleta de 250cc.
Até o fechamento desta matéria, o substituto brasileiro para a MX2 ainda não havia sido anunciado oficialmente.
A formação inicialmente divulgada tinha:
- Fábio Santos, MXGP
- Salvador Perez, MX2
- Enzo Lopes, Open
- Guilherme Bresolin, reserva
Bresolin foi campeão brasileiro da MX2 em 2023 e já representou o país no Motocross das Nações. Entretanto, ele disputa atualmente a categoria principal e não pode ser apontado como substituto até que exista uma confirmação oficial da equipe brasileira.
A definição tornou-se fundamental para as pretensões do país. Depois de alcançar o histórico 12º lugar em 2025, melhor resultado brasileiro no MXoN, a seleção pretende manter sua evolução e buscar novamente uma colocação expressiva entre as principais potências.
Além de encontrar um piloto competitivo, o Brasil precisará trabalhar contra o tempo para organizar documentação, logística, motocicleta, preparação e integração do novo representante com o restante da equipe.
Outras ausências importantes do MXoN 2026
Além das principais estrelas citadas, o evento registra diferentes baixas que afetam a profundidade técnica das seleções:
- Jett Lawrence, Austrália
- Hunter Lawrence, Austrália
- Kyle Webster, Austrália
- Haiden Deegan, Estados Unidos
- Eli Tomac, Estados Unidos
- Justin Cooper, Estados Unidos
- Ken Roczen, Alemanha
- Simon Längenfelder, Alemanha
- Max Nagl, Alemanha
- Maximilian Spies, Alemanha
- Kay de Wolf, Holanda
- Maxime Renaux, França
- Bernardo Tibúrcio, Brasil
- Salvador Perez, Brasil
- Sebastien Racine, Canadá
É importante destacar que as ausências aconteceram por razões diferentes. Alguns pilotos estão lesionados, enquanto outros ficaram fora por decisões de equipes, compromissos contratuais, necessidade de recuperação ou questões administrativas.
Quem passa a ser favorito ao título do MXoN 2026?
Com Austrália, Estados Unidos, Alemanha, Holanda e Brasil desfalcados, a França surge como uma das principais favoritas ao título.
A Bélgica também aparece fortíssima com uma equipe jovem, rápida e equilibrada:
- Lucas Coenen, MXGP
- Sacha Coenen, MX2
- Liam Everts, Open
Lucas é uma das grandes referências da nova geração da categoria principal, Sacha possui velocidade na MX2 e Everts tem experiência suficiente para buscar os pontos necessários nas três baterias.
A Espanha talvez tenha uma das formações mais competitivas de sua história:
- Jorge Prado, MXGP
- Guillem Farrés, MX2
- Rubén Fernández, Open
Prado é campeão mundial e uma das estrelas mais completas da atualidade. Farrés vive uma temporada de grande destaque, enquanto Rubén Fernández é presença constante entre os pilotos mais rápidos da MXGP.
A Eslovênia terá novamente em Tim Gajser sua principal referência, acompanhado por Jan Pancar e Jaka Peklaj. Gajser possui velocidade para disputar vitórias individuais, enquanto Pancar pode ser determinante na soma dos pontos.
A Itália, com Andrea Adamo, Ferruccio Zanchi e Andrea Bonacorsi, aparece como uma seleção jovem e perigosa. A presença de duas motos Ducati adiciona mais um elemento de interesse técnico à edição.
Já a Holanda continuará entre as candidatas enquanto tiver Jeffrey Herlings, mas precisará encontrar um substituto competitivo para Kay de Wolf.
MXoN mais aberto pode favorecer seleções consideradas azarãs
O Motocross das Nações não é decidido exclusivamente pelo piloto mais rápido. O regulamento premia a consistência coletiva e permite o descarte do pior resultado obtido pela equipe nas três baterias finais.
Esse formato significa que uma seleção sem a maior estrela individual pode conquistar o título se seus três pilotos terminarem todas as corridas em boas posições.
As ausências de Jett e Hunter Lawrence, Haiden Deegan, Eli Tomac, Ken Roczen, Kay de Wolf, Simon Längenfelder, Kyle Webster e Maxime Renaux reduzem o número de superestrelas reunidas no mesmo gate. Em contrapartida, ampliam o número de países com possibilidades reais de alcançar o pódio.
Bélgica, Espanha, Eslovênia e Itália ganham espaço em uma edição na qual França, Estados Unidos e Holanda continuam fortes, mas não podem cometer erros.
Mesmo seleções tradicionalmente colocadas em um segundo grupo passam a enxergar a oportunidade de obter resultados históricos.
Ernée mantém sua magia apesar das ausências
O Circuit Raymond Demy permanece como um dos palcos mais emblemáticos do motocross internacional. O traçado francês é conhecido pelas grandes subidas, descidas, terreno duro e áreas naturais que permitem ao público acompanhar boa parte das corridas.
O MXoN 2026 será a 79ª edição da competição. As classificatórias acontecerão no sábado, enquanto as três baterias decisivas serão disputadas no domingo.
Mesmo desfalcado de vários nomes importantes, o evento continuará reunindo pilotos como Jeffrey Herlings, Jorge Prado, Romain Febvre, Tom Vialle, Tim Gajser, Lucas Coenen, Cooper Webb e Andrea Adamo.
A ausência das principais estrelas certamente retira parte do brilho individual esperado pelos fãs, especialmente dos confrontos entre os campeões dos Estados Unidos, Austrália e Europa. Em compensação, o equilíbrio entre as seleções pode proporcionar uma das disputas coletivas mais abertas dos últimos anos.
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