Jeremy Van Horebeek pilota uma Honda CRF 450 preparada pela equipe HRB com soluções técnicas únicas: suspensão KYB factory, escapamento HGS exclusivo, motor de potência progressiva e cockpit adaptado a antigas lesões. O vídeo produzido pelo Show Radical revela cada detalhe da moto do veterano belga que compete no Brasil.
Nem toda moto de corrida conta a mesma história. A Honda CRF 450 de Jeremy Van Horebeek é um caso à parte — um projeto técnico moldado ao longo de anos de competição profissional, lesões acumuladas e uma relação muito específica com cada fornecedor da equipe HRB. O chefe de equipe Reinaldo abriu as portas e revelou tudo.
Suspensão KYB: um relacionamento de longa data
A suspensão é um dos primeiros pontos que chama atenção. Jeremy tem um longo relacionamento com a KYB (Kayaba) e utiliza um kit factory que já chega pronto da fábrica. A grande novidade, segundo Reinaldo, é que a equipe HRB agora possui autorização para realizar a manutenção desse equipamento aqui no Brasil — o que representa um avanço importante para a autonomia técnica da equipe.
Jeremy é extremamente sensível com o acerto do SAG, conferindo a regulagem diversas vezes ao dia. O nível de exigência com a suspensão é alto desde o primeiro treino.
Acerto médio, poucas mudanças na pista
Diferente da moto de Enzo — conhecida por ser muito dura —, o acerto de suspensão do belga é classificado como “médio”. O primeiro estágio é semelhante, mas os demais ficam mais macios. No dia de corrida, Jeremy raramente faz ajustes: quando muda, são no máximo um “clique”. A consistência no acerto faz parte da sua identidade como piloto.

Cockpit: manetes originais, manoplas Edgers e sem protetor de mão
Jeremy opta por manetes originais e dispensa os protetores de mão — uma escolha pessoal que contrasta com o setup de Enzo. As manoplas são especiais, desenvolvidas pela marca Edgers. O banco também é totalmente original, substituído frequentemente — a cada três corridas — para que esteja sempre o mais novo possível. Sem a espuma importada e dura que Enzo usa, Jeremy prefere a sensação do banco de fábrica.
Relação da transmissão: o eterno equilíbrio
Um dos detalhes mais curiosos da moto de Jeremy é o acerto da relação. Ele é capaz de testar até três relações diferentes em um único treino. O desafio é constante: encontrar um ajuste que seja ideal tanto para a largada quanto para o ritmo de corrida — dois momentos com exigências distintas da transmissão.
Escapamento HGS: exceção dentro da equipe
A equipe HRB trabalha normalmente com sistemas da Yoshimura, mas abriu uma exceção para Jeremy. O piloto possui acesso exclusivo à marca de escapamentos HGS, com a qual tem relação direta. Para a sua moto, foram desenvolvidas três configurações diferentes de escapamentos factory — uma exclusividade que reflete o nível de parceria entre piloto e fornecedor.
Motor progressivo: o maior desafio do preparador
Jeremy quer uma moto com potência extremamente progressiva. Manter a alta performance e ao mesmo tempo entregar a potência de forma suave foi o maior desafio de Reinaldo no desenvolvimento do motor. O acesso a peças e informações da HRC — divisão de competição da Honda — foi fundamental para que a equipe finalmente entregasse o motor ideal para o belga.
Posição de pilotagem: adaptada às lesões
Leandro Silva subiu na moto para comparar e notou imediatamente: a moto de Jeremy parece mais alta. O guidão e os manetes são posicionados mais para cima, e as alavancas ficam levemente desniveladas — uma adaptação às sequelas de antigas lesões. “Sou assim de tanto machucado”, justificou o próprio Jeremy. O acelerador também recebe um ajuste ultraleve, reflexo da sua preferência por respostas suaves e controláveis.
A Honda CRF 450 de Jeremy Van Horebeek é, acima de tudo, um projeto personalizado ao extremo. Cada componente conta um capítulo da carreira de um dos veteranos mais experientes do motocross mundial — e o Show Radical foi até os bastidores para mostrar tudo isso de perto.










